VARIAÇÕES

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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

GITA

Às vezes você me pergunta, porque é que sou tão calado
Não falo de amor quase nada, nem fico sorrindo ao teu lado
Você pensa em mim toda hora, me come, me cospe, me deixa
Talvez você não entenda, mas hoje eu vou lhe mostrar...

Eu sou a luz das estrelas, eu sou a cor do luar
Eu sou as coisas da vida, eu sou o medo de amar
Eu sou o medo do fraco, a força da imaginação
O blefe do jogador, eu sou, eu fui, eu vou...

Eu sou o seu sacrifício, a placa de contramão
O sangue no olhar do vampiro e as juras de maldição
Eu sou a vela que acende, eu sou a luz que se apaga
Eu sou a beira do abismo, eu sou o tudo e o nada...

Porque você me pergunta, perguntas não vão lhe mostrar
Que eu sou feito da terra, do fogo, da água e do ar
Você me tem toda hora, mas não sabe se é bom ou ruim
Mas saiba que eu estou em você, mas você não está em mim...

Das telhas eu sou o telhado, a pesca do pescador
A letra A tem meu nome, dos sonhos eu sou o amor
Eu sou a dona-de-casa, nos Peg-Pags do mundo
Eu sou a mão do carrasco, sou raso, largo, profundo

Eu sou a mosca da sopa e o dente do tubarão
Eu sou os olhos do cego e a cegueira da visão
Eu sou o amargo da língua, a mãe o pai e o avô
O filho que ainda não veio, o início, o fim e o meio

Composição de Raul Seixas e Paulo Coelho