VARIAÇÕES

VARIAÇÕES

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

WAVE - Tom Jobim

Vou te contar
Os olhos já não podem ver
Coisas que só o coração pode entender
Fundamental é mesmo o amor
É impossível ser feliz sozinho...

O resto é mar
É tudo que não sei contar
São coisas lindas que eu tenho pra te dar
Vem de mansinho à brisa e me diz
É impossível ser feliz sozinho...

Da primeira vez era a cidade
Da segunda o cais e a eternidade...

Agora eu já sei
Da onda que se ergueu no mar
E das estrelas que esquecemos de contar
O amor se deixa surpreender
Enquanto a noite vem nos envolver...

Vou te contar...


IMAGENS DO BRASIL - Confira o link!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

PALCO - Gilberto Gil

Subo nesse palco, minha alma cheira a talco
Como bumbum de bebê, de bebê
Minha aura clara, só quem é clarividente pode ver
Pode ver
Trago a minha banda, só quem sabe onde é Luanda
Saberá lhe dar valor, dar valor
Vale quanto pesa pra quem preza o louco bumbum do tambor
Do tambor

Fogo eterno pra afugentar
O inferno pra outro lugar
Fogo eterno pra consumir
O inferno, fora daqui

Venho para a festa, sei que muitos têm na testa

O deus-sol como um sinal, um sinal
Eu como devoto trago um cesto de alegrias de quintal

De quintal

Há também um cântaro, quem manda é Deus a música

Pedindo pra deixar, pra deixar
Derramar o bálsamo, fazer o canto, cantar o cantar

Lá, lá, iá

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

TXAI - Milton Nascimento



Txai é fortaleza que não cai.
Mesmo se um dia a gente sai,
fica no peito essa flor.
Txai, este pedaço em meu ser.
Tua presença vai bater
e vamos ser um só.
Lá onde tudo é e apareceu
como a beleza que o sol te deu
é tarde longe também sou eu.
Txai, a tua seta viajou,
chamou o tempo e parou
dentro de todos nós.
Já vai ia levando o meu amor
para molhar teus olhos
e fazer tudo bem,
te desejar como o vento,
porque a tarde cai.
Txai é quando sou o teu igual,
dou o que tenho de melhor
e guardo teu sinal.
Lá onde a saudade vem contar
tantas lembranças numa só,
todas metades, todos inteiros,
todos se chamam txai.
Txai, tudo se chama nuvem,
tudo se chama rio,
tudo que vai nascer.
Txai, onde achei coragem
de ser metade todo teu,
outra metade eu
porque a tarde cai
e dona lua vai chegar
com sua noite longa,
ser para sempre txai.

domingo, 18 de dezembro de 2011

VIDA - Gilberto Gil

Vida,
Vida,é assim
Vida é assim
Vida humana

Vida é alegria
Vida me dá prazer
Vida é a luz do dia
Vida vadia
Vida é o amor
Vida é cor e confusão
Vida é som e paixão
Vida é alegria
Vida me dá prazer
Vida é a luz do dia
Vida vivida
Vida é o amor
Vida é cor e confusão
Vida é som e paixão



domingo, 11 de dezembro de 2011

FOLHAS SECAS


Quando eu piso em folhas secas
Caídas de uma mangueira
Penso na minha escola
E nos poetas da minha estação primeira

Não sei quantas vezes
Subi o morro cantando
Sempre o sol me queimando
E assim vou me acabando.

Quando o tempo avisar
Que não posso mais cantar
Sei que vou sentir saudade
Ao lado do meu violão
Da minha mocidade

Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

TESOURO DA JUVENTUDE - Beto Guedes

A pedalar
Camisa aberta no peito
Passeio macio
Levo na bicicleta
O meu tesouro da juventude
Passo roubando fruta de feira
Passo a puxar meu estilingue
Vai pedra certeira no poste
Passa um veterano
E já cansado
Herói de guerra
Grito: Lá vem a bomba!
E meu tesouro me leva
Pelas ruas de Santa Teresa
A pedalar
Encontro amigo do peito
Sentado na esquina
Pula, pega garupa
Segura o bonde ladeira acima
Ganha o meu tesouro da juventude
Ainda que a cidade anoiteça
Ou desapareça
Piso no pedal do sonho
E a vida ganha mais alegria
Ganha o meu tesouro da juventude
Que foi em Pedra Azul
E em toda parte
Onde tive o que sou

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

FADAS - Luiz Melodia

Devo de ir, fadas
Inseto voa em cego sem direção
Eu bem te vi, nada
Ou fada borboleta, ou fada canção

As ilusões fartas
Da fada com varinha virei condão
Rabo de pipa, olho de vidro
Pra suportar uma costela de Adão

Um toque de sonhar sozinho
Te leva a qualquer direção
De flauta, remo ou moinho
De passo a passo passo...

sábado, 3 de dezembro de 2011

ENVELHEÇO NA CIDADE - Ira

Mais um ano que se passa
Mais um ano sem você
Já não tenho a mesma idade
Envelheço na cidade

Essa vida é jogo rápido
Para mim ou pra você
Mais um ano que se passa
Eu não sei o que fazer

Juventude se abraça
Faz de tudo pra esquecer
Um feliz aniversário
Para mim ou pra você

Feliz aniversário
Envelheço na cidade
Feliz aniversário
Envelheço na cidade

Meus amigos, minha rua
As garotas da minha rua
Não sinto, não os tenho
Mais um ano sem você

As garotas desfilando
Os rapazes a beber
Já não tenho a mesma idade
Não pertenço a ninguém

Juventude se abraça
Faz de tudo pra esquecer
Um feliz aniversário
Para mim ou pra você

Feliz aniversário
Envelheço na cidade
Feliz aniversário
Envelheço na cidade

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

LEROS, LEROS E BOLEROS - Sérgio Sampaio

Leros e leros
Traga branco o seu sorriso
Em que rua
Em que cidade
Eu fui mais feliz?
Leros, boleros
Música em sua vida!
Os acordes dissonantes
Estão na raiz
Dos meus cabelos
No inferno
No meu sorriso de adeus
Vou me fazer de moderno
No meu encontro com Deus
Leros e leros
Tudo enche meus ouvidos
Por que tanta gente rindo
No filme que eu vi?
Leros, boleros
Tangos e outras delícias
Eis a última notícia:
Que filme que eu vi!
Ai, meus amigos modernos
Ai, meu sorriso de adeus
Vou me fazer de eterno
No meu encontro com Deus

terça-feira, 29 de novembro de 2011

ESTAÇÃO DA LUZ - Alceu Valença

Lá vem chegando o verão
No trem da estação da luz
É um pintor passageiro colorindo o mundo inteiro
Derramando seus azuis lá vem chegando o verão
Lá vem chegando o verão
No trem da estação da luz
Com seu fogo de janeiro colorindo o mundo inteiro
Derramando seus azuis pintor chamado verão
Tão nobre é sua aquarela papoulas vermelhas
A rosa amarela o verde dos mares
As cores da terra me faz bem moreno
Para os olhos dela

domingo, 27 de novembro de 2011

ENQUANTO HOUVER SOL - Titãs

Quando não houver saída
Quando não houver mais solução
Ainda há de haver saída
Nenhuma idéia vale uma vida...

Quando não houver esperança
Quando não restar nem ilusão
Ainda há de haver esperança
Em cada um de nós
Algo de uma criança...

Enquanto houver sol
Enquanto houver sol
Ainda haverá
Enquanto houver sol
Enquanto houver sol...

Quando não houver caminho
Mesmo sem amor, sem direção
A sós ninguém está sozinho
É caminhando
Que se faz o caminho...

Quando não houver desejo
Quando não restar nem mesmo dor
Ainda há de haver desejo
Em cada um de nós
Onde Deus colocou...

Enquanto houver sol
Enquanto houver sol
Ainda haverá
Enquanto houver sol
Enquanto houver sol...

sábado, 26 de novembro de 2011

NA PRIMEIRA MANHÃ - Alceu Valença

Na primeira manhã que te perdi
Acordei mais cansado que sozinho
Como um conde falando aos passarinhos
Como uma bumba-meu-boi sem capitão
E gemi como geme o arvoredo
Como a brisa descendo das colinas
Como quem perde o prumo e desatina
Como um boi no meio da multidão

Na segunda manhã que te perdi
Era tarde demais pra ser sozinho
Cruzei ruas, estradas e caminhos
Como um carro correndo em contramão
Pelo canto da boca num sussurro
Fiz um canto demente, absurdo
O lamento noturno dos viúvos
Como um gato gemendo no porão
Solidão.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

FALTANDO UM PEDAÇO

O amor é um grande laço, um passo pr'uma armadilha
Um lobo correndo em círculos pra alimentar a matilha
Comparo sua chegada com a fuga de uma ilha:
Tanto engorda quanto mata feito desgosto de filha

O amor é como um raio galopando em desafio
Abre fendas cobre vales, revolta as águas dos rios
Quem tentar seguir seu rastro se perderá no caminho
Na pureza de um limão ou na solidão do espinho

O amor e a agonia cerraram fogo no espaço
Brigando horas a fio, o cio vence o cansaço
E o coração de quem ama fica faltando um pedaço
Que nem a lua minguando, que nem o meu nos seus braços

Djavan

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

RECADO - Gonzaguinha

Se me der um beijo, eu gosto
Se me der um tapa, eu brigo
Se me der um grito, não calo
Se mandar calar, mais eu falo

Mas se me der a mão, claro, aperto
Se for franco, direto e aberto
Tô contigo amigo e não abro
Vamos ver o diabo de perto

Mas preste bem atenção, seu moço
Não engulo da fruta, o caroço
Minha vida é tutano, é osso
Liberdade virou prisão

Se é amor, deu e recebeu
Se é suor, só o meu e o teu
Verbo eu pra mim já morreu
Quem mandava em mim nem nasceu


É viver e aprender
Vá viver e entender, malandro
Vai compreender
Vá tratar de viver

E se tentar me tolher é igual
Ao fulano de tal que taí
Se é pra ir vamos juntos
Se não é já não tô nem aqui




quarta-feira, 16 de novembro de 2011

PESCADOR DE ILUSÕES



Se meus joelhos não doessem mais
Diante de um bom motivo
Que me traga fé, que me traga fé

Se por alguns segundos eu observar
E só observar
A isca e o anzol, a isca e o anzol
A isca e o anzol, a isca e o anzol
Ainda assim estarei pronto pra comemorar
Se eu me tornar menos faminto
E curioso, e curioso
O mar escuro, é, trará o medo lado a lado
Com os corais mais coloridos

Valeu a pena, ê ê
Valeu a pena, ê ê
Sou pescador de ilusões
Sou pescador de ilusões

Se eu ousar catar
Na superfície de qualquer manhã
As palavras de um livro sem final
Sem final, sem final, sem final, final

Valeu a pena, ê ê
Valeu a pena, ê ê
Sou pescador de ilusões
Sou pescador de ilusões

Se eu ousar catar
Na superfície de qualquer manhã
As palavras de um livro sem final
Sem final, sem final, sem final, final

Valeu a pena, ê ê
Valeu a pena, ê ê
Sou pescador de ilusões
Sou pescador de ilusões

O Rappa


NOVO AMOR

A luz apaga porque já raiou o dia
E a fantasia vai voltar pro barracão
Outra ilusão desaparece quarta-feira
Queira ou não queira terminou o carnaval

Mas não faz mal, não é o fim da batucada
E a madrugada vem trazer meu novo amor
Bate o tambor, chora a cuíca e o pandeiro
Come o couro no terreiro porque o choro começou

A gente ri
A gente chora
E joga fora o que passou
A gente ri
A gente chora
E comemora o novo amor


Roberta Sá

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

PEDRA BONITA - 14 Bis

Leio nas pedras um velho e claro sinal
Traços da escrita rupestre de algum ancestral
Linda viagem, visagem, mensagem de amor
Sol das cavernas, estradas eternas me vou

Amanheceu vai além
Tem nas mãos girassóis
Brinca de ser o que for
Brilham cem mil faróis
Salta do nada, desata e dança ao redor
Tocam tambores nas tabas, nas selvas irmãs

Sai do silêncio, serena, serena canção
Joga os deuses por terra se tem coração
Diz sorridente ao cigano que o sonho vingou
Sai do abandono e ouviras as estrelas de luz

Sai do silêncio, serena, serena canção
Brinca de ser o que for
Tem nas mãos girassóis

Gravo a laser história que ainda não sei
Riscos da arte capricho da sorte que vem
Dorme um sono tranquilo na casa da paz
Risca na pedra bonita o nome do amor

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

NO BRASEIRO - Pedro Luis


Mas tá um trem de doido, êta confusão
Parece natural andar na contramão.

Tão vendendo ingresso
Pra ver nego morrer no osso
Vou fechar a janela
Pra ver se não ouço
As mazelas dos outros.

Mas tá um trem de doido, êta confusão
Parece natural andar na contramão.

Tão vendendo ingresso
Pra ver nego morrer no osso
Vou fechar a janela
Pra ver se não ouço
As mazelas dos outros.

Perdeu-se a moral e reina a falta de vergonha
Mania nacional é ver o outro se dar mal
O caso de polícia é corriqueiro, é todo dia
Felicidade é bom
Eu quero paz, justiça, alegria...

Moramos no braseiro, a coisa aqui tá quente
O ano inteiro eu corro atrás, não sei de quê exatamente.

Perdeu-se a moral e reina a falta de vergonha
Mania nacional é ver o outro se dar mal
O caso de polícia é corriqueiro, é todo dia
Felicidade é bom
Eu quero paz, justiça, alegria...

Quero justiça, alegria e quero paz,
Mas com direitos iguais, como já disse Tosh
E quero mais que um milhão de amigos do RC
Ser como Luís e suas maravilhas do mundo quero comer
Quero me esconder debaixo da saia da minha amada
Como Martinho da Vila, em ancestral batucada
Eu quero é botar eu bloco na rua, qual Sampaio
Quero o sossego de Tim Maia olhando um céu azul de maio
Eu quero é mel, como cantou Melodia
Quero enrolar-me em teus cabelos
Como disse Wando à moça um dia
Quero ficar no teu corpo, como Chico em Tatuagem
E quero morrer com os bambas de Ataulfo bem mais tarde
Só que bem mais tarde
Eu quero ir pra ver Irene rir, como escreveu Veloso!

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

SABER AMAR

A crueldade de que se é capaz
Deixar pra trás os corações partidos
Contra as armas do ciúme tão mortais
A submissão às vezes é um abrigo

Saber amar
Saber deixar alguém te amar

Há quem não veja a onda onde ela está
E nada contra o rio
Todas as formas de se controlar alguém
Só trazem um amor vazio

Saber amar
Saber deixar alguém te amar

O amor te escapa entre os dedos
E o tempo escorre pelas mãos
O sol já vai se pôr no mar

Saber amar
Saber deixar alguém te amar

Há quem não veja a onda onde ela está
E nada contra o rio
Todas as formas de se controlar alguém
Só trazem um amor vazio


Saber amar
É saber deixar alguém te amar


Paralamas do Sucesso

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

ILHA DE CUBA - Luiz Melodia

Ao som da maraca
Do tambor do bambu
Ao som da maraca
Do tambor do bambu
Eu vou pra ilha de Cuba
Eu vou pra ilha de Cuba
Eu vou numa caravela
A velha Santa Maria
Que passa domingo de noite
Pelo Rio de Janeiro
Que passa domingo de noite
Pelo Rio de Janeiro
Se você quiser também
Entre na embarcação
E vamos sorrindo pro mundo
Na velha Santa Maria
E vamos sorrindo pro mundo
Na velha Santa Maria
É que ao som da maraca
E do tal tamborim
Eu vou pra ilha de Cuba

terça-feira, 11 de outubro de 2011

SERENÍSSIMA - Renato Russo

Sou um animal sentimental
Me apego facilmente ao que desperta meu desejo
Tente me obrigar a fazer o que não quero
E cê vai logo ver o que acontece.
Acho que entendo o que você quis me dizer
Mas existem outras coisas.
Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade
Tudo está perdido mas existem possibilidades
Tínhamos a idéia, mas você mudou os planos
Tínhamos um plano, você mudou de idéia.
Já passou, já passou - quem sabe outro dia
Antes eu sonhava, agora já não durmo
Quando foi que competimos pela primeira vez?
O que ninguém percebe é o que todo mundo sabe
Não entendo terrorismo, falávamos de amizade
Não estou mais interessado no que sinto
Não acredito em nada além do que duvido
Você espera respostas que eu não tenho, mas
Não vou brigar por causa disso
Até penso duas vezes se você quiser ficar
Minha laranjeira verde, por que está tão prateada?
Foi da lua dessa noite, do sereno da madrugada?
Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço
Enquanto o caos segue em frente
Com toda calma do mundo

terça-feira, 4 de outubro de 2011

EU NÃO SOU DA SUA RUA


Eu não sou da sua rua,
Eu não sou o seu vizinho
Eu moro muito longe, sozinho.

Estou aqui de passagem.

Eu não sou da sua rua,
Eu não falo a sua língua,
Minha vida é diferente da sua.

Estou aqui de passagem.

Esse mundo não é meu
Esse mundo não é seu.


Arnaldo Antunes

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

SINCERAMENTE - Sérgio Sampaio


Não há nada mais bonito do que ser independente
E poder se conquistar, sair, chegar, assim tão simplesmente. . .

Não há nada mais tranquilo do que ser o que se sente
E poder amar, perder, chorar, depois ganhar assim tão livremente

Não há nada mais sozinho do que ser inteligente
e poder cantarolar, errar, desafinar, assim sinceramente
sinceramente.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

ETERNAS ONDAS

Quanto tempo temos antes de voltarem
Aquelas eternas ondas
Que vieram como gotas em silêncio
Tão furioso
Derrubando homens entre outros animais
Devastando a sede desses matagais
Derrubando homens entre outros animais
Devastando a sede desses matagais
Devorando árvores, pensamentos
Seguindo a linha
Do que foi escrito pelo mesmo lábio
Tão furioso
E se teu amigo vento não te procurar
É porque multidões ele foi arrastar
E se teu amigo vento não te procurar
É porque multidões ele foi arrastar

Zé Ramalho

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

UM ÍNDIO

Um índio descerá de uma estrela colorida e brilhante
De uma estrela que virá numa velocidade estonteante
E pousará no coração do hemisfério sul, na América, num claro instante

Depois de exterminada a última nação indígena
E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida
Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias

Virá, impávido que nem Muhammed Ali, virá que eu vi
Apaixonadamente como Peri, virá que eu vi
Tranqüilo e infalível como Bruce Lee, virá que eu vi
O axé do afoxé, filhos de Ghandi, virá

Um índio preservado em pleno corpo físico
Em todo sólido, todo gás e todo líquido
Em átomos, palavras, alma, cor, em gesto e cheiro
Em sombra, em luz, em som magnífico

Num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífico
Do objeto, sim, resplandecente descerá o índio
E as coisas que eu sei que ele dirá, fará, não sei dizer
Assim, de um modo explícito

E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
Surpreenderá a todos, não por ser exótico
Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto
Quando terá sido o óbvio


Caetano Veloso

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

NADA SERÁ COMO ANTES


Eu já estou com o pé nessa estrada
Qualquer dia a gente se vê
Sei que nada será como antes, amanhã
Que notícias me dão dos amigos?
Que notícias me dão de você?
Alvoroço em meu coração
Amanhã ou depois de amanhã
Resistindo na boca da noite um gosto de sol
Num domingo qualquer, qualquer hora
Ventania em qualquer direção
Sei que nada será como antes amanhã
Que notícias me dão dos amigos?
Que notícias me dão de você?
Sei que nada será como está
Amanhã ou depois de amanhã
Resistindo na boca da noite um gosto de sol


Milton Nascimento

terça-feira, 23 de agosto de 2011

JUVENÍLIA - RPM


Sinto um imenso vazio e o Brasil
Que herda o costume servil
Não serviu pra mim
Juventude
Aventura e medo
Desde cedo
Encerrado em grades de aço

E um pedaço do meu coração é teu
Destroçado com as mãos
Pelas mãos de Deus
E as imagens
Transmissões divinas
E o cinismo
E o protestantismo europeu

Parte o primeiro avião
E eu não vou voltar
E quem vem pra ficar
Pra cuidar de ti
Terra linda
Sofre ainda a vinda de piratas
Mercenários sem direção

E eu até sei quem são, sim eu sei
E você sempre faz confusão, diz que não
E vem, vem chorando
Vem pedir desculpas
Vem sangrando
Dividir a culpa entre nós


quarta-feira, 17 de agosto de 2011

TUDO VALE A PENA


Crianças nas praças
Praças do morro
Morro de amores, Rio
Rio da leveza desse povo
Carregado de calor e de luta
Povo bamba
Cai no samba, dança o funk Tem suingue até no jeito de olhar
Tem balanço no trejeito, no andar
Andar de cima tem uma música tocando
Andar de trem tem gente em cima equilibrando
Andar no asfalto quentes carros vão passando
Andar de baixo
Tem uma moça no quintal cantarolando
Rio de baixadas com seus vales
Vale a pena
Sua pobreza é quase um mito Quando fito os teus contornos
Lá do alto de algum de seus mirantes
Que são tantos
Então

Tudo vale a pena
Sua alma não é pequena

Seus santos são fortes
Adoro o seu sorriso
Zona sul ou zona norte
Seu ritmo é preciso


Pedro Luís e Fernanda Abreu

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

ALEGRIA - Beatriz Azevedo

Tem hora que o coração aperta um bocadim
E eu me lembro daquele zóinho
Eu sei que eu gosto dela
E fico esperando ela me olhar (aah)

Esperando ela me olhar

Eu tava quieto no meu cantinho
E ela chegou se quer saber meu nome
Meu nome é Alegria
E agora eu só quero é dançar (aah)
E eu esperando ela girar (aah)
E eu esperando ela girar

Tem hora que eu fico sozinho com saudade da minha alegria
Eu sei que eu gosto dela
E fico esperando ela voltar (Alegria)
E fico esperando ela voltar (Alegria)

E alegria não vá embora
Não vá agora que é hora
Abre a roda e vem dançar
E alegria não vá embora
Não vá agora que é hora
Cai na roda e vem cantar

Eu tava quieto no meu cantinho
E ela chegou se quer saber meu nome
Meu nome é Alegria
E agora eu só quero é dançar (aah)
E eu esperando ela girar (aah)
E eu esperando ela girar

Tem hora que eu fico sozinho com saudade da minha alegria
Eu sei que eu gosto dela
E fico esperando ela voltar (Alegria)
Esperando ela voltar (Alegria)

Ei, Alegria não vá embora
Não vá agora
Que é hora
Abre a roda e vem dançar

Ei, Alegria não vá embora
Não vá agora
Que é hora
Cai na roda e vem cantar