VARIAÇÕES

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terça-feira, 3 de maio de 2011

EXTINÇÃO

O lobo-guará é manso

foge diante de qualquer ameaça

é solitário

avesso ao dia, tímido

detesta as cidades

onde quase sempre é atropelado

onívoro, com mandíbulas fracas

come pássaros, ratos, ovos, frutas

às vezes, quando está perdido,

vasculha latas de lixo nas ruas

engasga ao mastigar garrafas

de plástico ou isopores

se corta e ou morre ao morder

lâmpadas fluorescentes

ou engolir fios elétricos

morre ao lamber inseticidas

ou restos de tinta

ou ao engolir remédios vencidos

ou seringas e agulhas descartáveis

dócil, sem astúcia,

é facilmente capturado e morto

por traficantes de pele

quando então uiva



Poema de Régis Bonvicino