VARIAÇÕES

VARIAÇÕES

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

SINCERAMENTE - Sérgio Sampaio


Não há nada mais bonito do que ser independente
E poder se conquistar, sair, chegar, assim tão simplesmente. . .

Não há nada mais tranquilo do que ser o que se sente
E poder amar, perder, chorar, depois ganhar assim tão livremente

Não há nada mais sozinho do que ser inteligente
e poder cantarolar, errar, desafinar, assim sinceramente
sinceramente.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

ETERNAS ONDAS

Quanto tempo temos antes de voltarem
Aquelas eternas ondas
Que vieram como gotas em silêncio
Tão furioso
Derrubando homens entre outros animais
Devastando a sede desses matagais
Derrubando homens entre outros animais
Devastando a sede desses matagais
Devorando árvores, pensamentos
Seguindo a linha
Do que foi escrito pelo mesmo lábio
Tão furioso
E se teu amigo vento não te procurar
É porque multidões ele foi arrastar
E se teu amigo vento não te procurar
É porque multidões ele foi arrastar

Zé Ramalho

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

UM ÍNDIO

Um índio descerá de uma estrela colorida e brilhante
De uma estrela que virá numa velocidade estonteante
E pousará no coração do hemisfério sul, na América, num claro instante

Depois de exterminada a última nação indígena
E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida
Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias

Virá, impávido que nem Muhammed Ali, virá que eu vi
Apaixonadamente como Peri, virá que eu vi
Tranqüilo e infalível como Bruce Lee, virá que eu vi
O axé do afoxé, filhos de Ghandi, virá

Um índio preservado em pleno corpo físico
Em todo sólido, todo gás e todo líquido
Em átomos, palavras, alma, cor, em gesto e cheiro
Em sombra, em luz, em som magnífico

Num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífico
Do objeto, sim, resplandecente descerá o índio
E as coisas que eu sei que ele dirá, fará, não sei dizer
Assim, de um modo explícito

E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
Surpreenderá a todos, não por ser exótico
Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto
Quando terá sido o óbvio


Caetano Veloso