VARIAÇÕES

VARIAÇÕES

terça-feira, 29 de novembro de 2011

ESTAÇÃO DA LUZ - Alceu Valença

Lá vem chegando o verão
No trem da estação da luz
É um pintor passageiro colorindo o mundo inteiro
Derramando seus azuis lá vem chegando o verão
Lá vem chegando o verão
No trem da estação da luz
Com seu fogo de janeiro colorindo o mundo inteiro
Derramando seus azuis pintor chamado verão
Tão nobre é sua aquarela papoulas vermelhas
A rosa amarela o verde dos mares
As cores da terra me faz bem moreno
Para os olhos dela

domingo, 27 de novembro de 2011

ENQUANTO HOUVER SOL - Titãs

Quando não houver saída
Quando não houver mais solução
Ainda há de haver saída
Nenhuma idéia vale uma vida...

Quando não houver esperança
Quando não restar nem ilusão
Ainda há de haver esperança
Em cada um de nós
Algo de uma criança...

Enquanto houver sol
Enquanto houver sol
Ainda haverá
Enquanto houver sol
Enquanto houver sol...

Quando não houver caminho
Mesmo sem amor, sem direção
A sós ninguém está sozinho
É caminhando
Que se faz o caminho...

Quando não houver desejo
Quando não restar nem mesmo dor
Ainda há de haver desejo
Em cada um de nós
Onde Deus colocou...

Enquanto houver sol
Enquanto houver sol
Ainda haverá
Enquanto houver sol
Enquanto houver sol...

sábado, 26 de novembro de 2011

NA PRIMEIRA MANHÃ - Alceu Valença

Na primeira manhã que te perdi
Acordei mais cansado que sozinho
Como um conde falando aos passarinhos
Como uma bumba-meu-boi sem capitão
E gemi como geme o arvoredo
Como a brisa descendo das colinas
Como quem perde o prumo e desatina
Como um boi no meio da multidão

Na segunda manhã que te perdi
Era tarde demais pra ser sozinho
Cruzei ruas, estradas e caminhos
Como um carro correndo em contramão
Pelo canto da boca num sussurro
Fiz um canto demente, absurdo
O lamento noturno dos viúvos
Como um gato gemendo no porão
Solidão.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

FALTANDO UM PEDAÇO

O amor é um grande laço, um passo pr'uma armadilha
Um lobo correndo em círculos pra alimentar a matilha
Comparo sua chegada com a fuga de uma ilha:
Tanto engorda quanto mata feito desgosto de filha

O amor é como um raio galopando em desafio
Abre fendas cobre vales, revolta as águas dos rios
Quem tentar seguir seu rastro se perderá no caminho
Na pureza de um limão ou na solidão do espinho

O amor e a agonia cerraram fogo no espaço
Brigando horas a fio, o cio vence o cansaço
E o coração de quem ama fica faltando um pedaço
Que nem a lua minguando, que nem o meu nos seus braços

Djavan

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

RECADO - Gonzaguinha

Se me der um beijo, eu gosto
Se me der um tapa, eu brigo
Se me der um grito, não calo
Se mandar calar, mais eu falo

Mas se me der a mão, claro, aperto
Se for franco, direto e aberto
Tô contigo amigo e não abro
Vamos ver o diabo de perto

Mas preste bem atenção, seu moço
Não engulo da fruta, o caroço
Minha vida é tutano, é osso
Liberdade virou prisão

Se é amor, deu e recebeu
Se é suor, só o meu e o teu
Verbo eu pra mim já morreu
Quem mandava em mim nem nasceu


É viver e aprender
Vá viver e entender, malandro
Vai compreender
Vá tratar de viver

E se tentar me tolher é igual
Ao fulano de tal que taí
Se é pra ir vamos juntos
Se não é já não tô nem aqui




quarta-feira, 16 de novembro de 2011

PESCADOR DE ILUSÕES



Se meus joelhos não doessem mais
Diante de um bom motivo
Que me traga fé, que me traga fé

Se por alguns segundos eu observar
E só observar
A isca e o anzol, a isca e o anzol
A isca e o anzol, a isca e o anzol
Ainda assim estarei pronto pra comemorar
Se eu me tornar menos faminto
E curioso, e curioso
O mar escuro, é, trará o medo lado a lado
Com os corais mais coloridos

Valeu a pena, ê ê
Valeu a pena, ê ê
Sou pescador de ilusões
Sou pescador de ilusões

Se eu ousar catar
Na superfície de qualquer manhã
As palavras de um livro sem final
Sem final, sem final, sem final, final

Valeu a pena, ê ê
Valeu a pena, ê ê
Sou pescador de ilusões
Sou pescador de ilusões

Se eu ousar catar
Na superfície de qualquer manhã
As palavras de um livro sem final
Sem final, sem final, sem final, final

Valeu a pena, ê ê
Valeu a pena, ê ê
Sou pescador de ilusões
Sou pescador de ilusões

O Rappa


NOVO AMOR

A luz apaga porque já raiou o dia
E a fantasia vai voltar pro barracão
Outra ilusão desaparece quarta-feira
Queira ou não queira terminou o carnaval

Mas não faz mal, não é o fim da batucada
E a madrugada vem trazer meu novo amor
Bate o tambor, chora a cuíca e o pandeiro
Come o couro no terreiro porque o choro começou

A gente ri
A gente chora
E joga fora o que passou
A gente ri
A gente chora
E comemora o novo amor


Roberta Sá

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

PEDRA BONITA - 14 Bis

Leio nas pedras um velho e claro sinal
Traços da escrita rupestre de algum ancestral
Linda viagem, visagem, mensagem de amor
Sol das cavernas, estradas eternas me vou

Amanheceu vai além
Tem nas mãos girassóis
Brinca de ser o que for
Brilham cem mil faróis
Salta do nada, desata e dança ao redor
Tocam tambores nas tabas, nas selvas irmãs

Sai do silêncio, serena, serena canção
Joga os deuses por terra se tem coração
Diz sorridente ao cigano que o sonho vingou
Sai do abandono e ouviras as estrelas de luz

Sai do silêncio, serena, serena canção
Brinca de ser o que for
Tem nas mãos girassóis

Gravo a laser história que ainda não sei
Riscos da arte capricho da sorte que vem
Dorme um sono tranquilo na casa da paz
Risca na pedra bonita o nome do amor

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

NO BRASEIRO - Pedro Luis


Mas tá um trem de doido, êta confusão
Parece natural andar na contramão.

Tão vendendo ingresso
Pra ver nego morrer no osso
Vou fechar a janela
Pra ver se não ouço
As mazelas dos outros.

Mas tá um trem de doido, êta confusão
Parece natural andar na contramão.

Tão vendendo ingresso
Pra ver nego morrer no osso
Vou fechar a janela
Pra ver se não ouço
As mazelas dos outros.

Perdeu-se a moral e reina a falta de vergonha
Mania nacional é ver o outro se dar mal
O caso de polícia é corriqueiro, é todo dia
Felicidade é bom
Eu quero paz, justiça, alegria...

Moramos no braseiro, a coisa aqui tá quente
O ano inteiro eu corro atrás, não sei de quê exatamente.

Perdeu-se a moral e reina a falta de vergonha
Mania nacional é ver o outro se dar mal
O caso de polícia é corriqueiro, é todo dia
Felicidade é bom
Eu quero paz, justiça, alegria...

Quero justiça, alegria e quero paz,
Mas com direitos iguais, como já disse Tosh
E quero mais que um milhão de amigos do RC
Ser como Luís e suas maravilhas do mundo quero comer
Quero me esconder debaixo da saia da minha amada
Como Martinho da Vila, em ancestral batucada
Eu quero é botar eu bloco na rua, qual Sampaio
Quero o sossego de Tim Maia olhando um céu azul de maio
Eu quero é mel, como cantou Melodia
Quero enrolar-me em teus cabelos
Como disse Wando à moça um dia
Quero ficar no teu corpo, como Chico em Tatuagem
E quero morrer com os bambas de Ataulfo bem mais tarde
Só que bem mais tarde
Eu quero ir pra ver Irene rir, como escreveu Veloso!