VARIAÇÕES

VARIAÇÕES

sexta-feira, 19 de julho de 2013

VIROU AREIA - Lenine

Cadê a esfinge de pedra que ficava ali
Virou areia
Cadê a floresta que o mar já avistou dali
Virou areia
Cadê a mulher que esperava o pescador
Virou areia
Cadê o castelo onde um dia já dormiu um rei
Virou areia
E o livro que o dedo de Deus deixou escrita a lei
Virou areia
Cadê o sudário do salvador
Virou areia
Areia a lua batendo no chão do terreiro
Areia o barro batido subindo no ar
Areia o menino sentado na beira da praia
Areia fazendo com a mão castelo no mar
E a onda que cerquei e que passou
Virou areia
Nasceu no mar e na terra se acabou
Virou areia
Cadê a voz que encantava multidão, cadê
Virou areia
Cadê o passado o presente a paixão
Virou areia
Cadê a muralha do imperador
Virou areia

sexta-feira, 12 de julho de 2013

CERTAS CANÇÕES - Milton Nascimento

Certas canções que ouço
Cabem tão dentro de mim
Que perguntar carece
Como não fui eu que fiz

Certa emoção me alcança
Corta minha alma sem dor
Certas canções me chegam
Como se fosse o amor

Contos da água e do fogo
Cacos de vidas no chão
Cartas do sonho do povo
O coração do cantor

Vida e mais vida ou ferida
Chuva, outono ou mar
Carvão e giz abrigo
Gesto molhado no olhar
Calor que invade, arde queima, encoraja
Amor que invade, arde, carece de cantar

Milton Nascimento

DESAFIOS - Zuza Zapata

A vida é cheia de términos e novos começos.
A cada curva há algo que nos desafia,
seja o novo, formidável, ou simplesmente o familiar.
O que para uns é uma montanha intransponível,
para outros um desafio a vencer.
O que se torna sombrio para alguns
ainda permanece iluminado para outros.
Os otimistas vêem o caminho à frente,
os pessimistas ficam tão ocupados
em olhar para trás que não conseguem
ver a solução bem diante deles.
Se ficarmos segurando a corda
que nos arrasta para trás
não teremos mãos livres
para agarrar a corda que nos
puxa para frente.


quarta-feira, 10 de julho de 2013

SAUDADE - Otto

Saudade quero ver pra crer
Saudade de te procurar
Na vida tudo pode acontecer
Partir e nunca mais voltar

Como um bom barco no mar
Eu vou, eu vou

(Julieta Venegas)
No tengo medo es la verdad
Y lo que sucederá
Podría perderme en esta felicidad
Cuando estás comigo
La distancia y el silencio
Son solo un instante que ya terminó

Saudade quero ver pra crer
Saudade de te procurar
Na vida tudo pode acontecer
Partir e nunca mais voltar

Como um bom barco no mar
Eu vou, eu vou

quinta-feira, 4 de julho de 2013

TRILHOS URBANOS - Caetano Veloso

"O melhor o tempo esconde, longe, muito longe
Mas bem dentro aqui, quando o bonde dava a volta ali
No cais de Araújo Pinho, tamarindeirinho
Nunca me esqueci onde o imperador fez xixi"