VARIAÇÕES

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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

A ANDARILHA

Bina era o nome da mulher que andava pelas ruas da cidade. Diziam que ela era louca.
As crianças sentiam por ela um misto de encantamento e medo. Ela era daquelas pessoas que olhava nos os olhos dos outros e dizia:- O que é? Você perdeu alguma coisa?
Ninguém nunca foi agredido por ela, mas por cautela mantinham uma certa distância daquela pessoa franzina e atirada.

Ela morava em uma vila distante, em uma casa de madeira, mas muito limpa. Ao sair andando pelas ruas da velha cidade, sempre tinha um cachorro que lhe acompanhava.
Muitas vezes ela pedia comida na casa dos outros. As pessoas davam, porque no fundo sentiam dó daquela pessoa tão solta, mas ao mesmo tempo tão carente.

Certa vez, estava chovendo muito, parecia que o mundo ia desabar, Bina, não conseguiu voltar para sua casa e acabou ficando pela cidade tentando encontrar um abrigo.
Choveu a noite toda. No dia seguinte quando amanheceu e a cidade voltou à rotina, surgiu um comentário de que a Bina havia aprontado das suas.
Aconteceu o seguinte: O coveiro do cemitério da cidade quando entrou no alojamento onde ficava o caixão dos pobres, tomou o maior susto. Ele viu alguém sair de dentro dele e perguntar assim:- E a chuva, já passou? Esse alguém era a Bina. Sabem como é, cidade pequena de antigamente todos ficavam sabendo dos acontecimentos.
A andarilha Bina era tão conhecida que até hoje os antigos moradores da cidade contam essa história.


Imagem: Isaac Levitan

Lita Duarte