VARIAÇÕES

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sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

POSSO SER LUZ PARA MIM MESMO?

"Dependemos de nossas experiências – agradáveis ou dolorosas - para nos mantermos despertos; queremos que todas as formas de desafio nos mantenham despertos. Quando nos apercebemos que esta dependência dos desafios e experiências só torna a mente mais embotada e que realmente não nos mantém despertos - quando nos apercebemos que tivemos milhares de guerras e não aprendemos nada, que estamos dispostos a matar o nosso próximo amanhã à menor provocação – então se pergunta, por que os queremos, e é possível manter-se desperto sem nenhum desafio? Essa é a verdadeira questão – compreendem? Eu dependo de um desafio, de uma experiência, esperando que me dê mais excitação, mais intensidade, que torne a minha mente mais perspicaz, mas não. Então eu me pergunto se é possível manter-me totalmente desperto, não perifericamente em algumas partes de meu ser, mas totalmente desperto, sem nenhum desafio, sem nenhuma experiência? Isso significa, posso ser uma luz para mim mesmo, não dependendo de qualquer outra luz? Isso não quer dizer que eu seja um inútil ao não depender de nenhum estímulo. Posso ser uma luz que nunca se apaga? Para descobrir isso, eu tenho que ir fundo dentro de mim mesmo, tenho que me conhecer totalmente, completamente, cada recanto de mim mesmo, não pode haver recantos secretos, tudo tem que ser exposto. Tenho que estar consciente da área total de meu próprio eu que é a consciência do indivíduo e da sociedade. Somente quando a mente vai além desta consciência individual e social, é que existe a possibilidade de sermos uma luz para nós mesmos que nunca se apaga."

J. Krishnamurti